A criança interior do adulto
Dei aula em um grupo de estudo sobre a criança interior do adulto, afirmando que todos nós trazemos para a vida adulta uma criança feliz e ferida oriundas das experiências da infância. Quando um adulto tem uma reação exagerada ou desequilibrada de raiva, medo, ciúme, vergonha diante de um filho(a), da mãe ou do pai, do marido ou esposa, amigos(as), chefe ou colegas de trabalho, é a criança ferida se manifestando ao relembrar a cena sofrida na infância, ou ainda quando tem medo de avião, de escuro, não consegue ficar sozinho, não fala o que pensa, não aceita elogios, se julga demasiadamente, sugerindo que passou por experiências de ter se sentido rejeitado, ofendido, criticado excessivamente, diminuído, não escutado, não visto. O que fazer? Olhar para si mesmo, reconhecendo a sua criança em desespero, quer se veja chorando, calando, se escondendo, esbravejando, gritando. Depois olhar para a mãe e o pai que teve, lembrar o amor que foi vivido (ou não vivido), o modo de amar que foi herdado, o qual influencia na escolha amorosa e no padrão de relacionamento instituído com os outros. O terapeuta precisa ter olhos e ouvidos atentos para entender o momento de resgatar as experiências da infância, integrar a criança ferida e feliz, para assim levar o adulto a se reconciliar consigo mesmo. Adulto feliz é adulto que vive a sua inteireza (dá gargalhada, dança, canta, chora, faz carinho, discute, tem prazer), que age com consciência, sabe se proteger, sabe se respeitar, sabe se amar.


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